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Nitrato – vilão ou mocinho?

Nitrato – vilão ou mocinho?

A alimentação é uma prática básica para a sobrevivência humana, os alimentos consumidos são responsáveis pelo fornecimento dos nutrientes necessários para o bom desenvolvimento e manutenção do organismo. Contudo, escolhas alimentares estão sendo cada vez mais influenciadas pelo modismo. Diariamente as pessoas se deparam com notícias que denominam e vendem nutrientes específicos como mocinhos ou vilões da época, já existiu a vez do ovo, da soja, do frango e atualmente, o nitrato têm sido uma substância de destaque na mídia, entre atletas e desportistas, por seu potencial ergogênico. O nitrato (NO³-) é um ânion inorgânico que existe de modo natural no meio ambiente (água, solo) e encontra-se presente em fontes alimentares como vegetais folhosos verdes escuros, beterraba e aipo, no entanto essa substância também é utilizada como conservante alimentar nos embutidos cárneos. Chegando a conclusão que o nitrato é uma substância “duas caras”, sim isso é possível!

Em defesa do mocinho podemos destacar alguns efeitos terapêuticos e ergogênicos do nitrato como hipotensor, anti-inflamatório e vasodilatador propriedades que devem ao fato do nitrato inorgânico de origem alimentar provida de frutas e vegetais ou de origem endógena ser convertido em óxido nítrico (NO) através da via Nitrato-Nitrito-NO. Basicamente bactérias da cavidade oral reduzem o nitrato à nitrito (NO³- → NO²-). Esse nitrito em contato com o meio ácido do estômago se converte à NO. O NO³- e o NO²- remanescentes são absorvidos no intestino para a circulação sistêmica sendo convertidos no sangue e tecidos alvo à NO por hemeproteinas. O nitrato circulante no plasma é captado pelas glândulas salivares para iniciar outro ciclo. Todo esse processo é facilitado em condições de baixa disponibilidade de oxigênio e ambiente ácido permitindo sua produção em locais mais necessários como durante o exercício. Mas para quê produzir endogenamente o NO? Ele não é uma radical livre?

Primeiro, a necessidade de produzir NO endogenamente é devido seu poder de vasodilatação, que consiste no aumento do calibre dos vasos sanguíneos, proporcionando maior e melhor aporte de oxigênio e nutrientes as células. Dentre os benefícios estão o controle da pressão arterial, redução no consumo de O2 (VO2) durante o exercício, atenuação das perturbações metabólicas e maior produção de força muscular, resultando em melhor performance. Segundo, o NO é um radical livre quando disposto na luz do vaso, nesse caso em específico o NO será sintetizado na parede no vaso sanguíneo que acometerá na vasodilatação.

O lado vilão do nitrato deve-se ao fato de elevado consumo de alimentos ultraprocessados ricos em nitrato com exemplo, os embutidos cárneos que tem propriedade tóxica pela formação de N-nitrosaminas, potenciais agentes cancerígenos. A associação de proteína animal ao nitrato confere a esses produtos uma toxicidade, já que facilitam a formação de N-nitrosaminas em condições fortemente ácidas (interior do estômago) quando as proteínas alimentares reagem com os sais de nitrito. Já o NO³- proveniente dos vegetais apresenta características potencialmente terapêuticas, pois sua presença encontra-se associada a antioxidantes, destacando a vitamina C, que podem inibir a formação de nitrosaminas no meio gástrico, no entanto não existem estudos científicos em longo prazo que comprove a inexistência da formação de nitrosaminas com uso de vegetais ricos em nitrato a exemplo beterraba.

Contudo, a ação benéfica ou maléfica de uma substância ou alimento é dependente de outros fatores como prática de exercício físico, adequação do plano alimentar e fatores genéticos inerentes, sendo assim o Nutricionista é o profissional capacitado para entender e suprir as necessidades peculiares de cada individuo, além de otimizar os resultados buscados.

Este texto foi escrito por Jannine Dantas, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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