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Autismo e Saúde Intestinal: Qual a Relação?

Autismo e Saúde Intestinal: Qual a Relação?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um dos mais conhecidos dentre os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, e engloba um complexo grupo de desordens no desenvolvimento cerebral, caracterizado, principalmente, por prejuízos na comunicação e interação social do indivíduo e anormalidades sensoriais, juntamente com a presença de comportamentos restritivos e repetitivos.

O TEA possui etiologia multifatorial e grande variabilidade de sintomas. Por isso, alguns estudos relacionam sua origem com fatores hereditários, combinados com fatores ambientais. O transtorno tem início precoce e seus aspectos tendem a comprometer o desenvolvimento do indivíduo ao longo de sua vida. Os fundamentos biológicos que tentam explicar o autismo são apenas parcialmente conhecidos e, por isso, a identificação e o diagnóstico baseiam-se nos comportamentos apresentados e na história do indivíduo.

O comportamento alimentar no TEA é muito particular; as crianças autistas são extremamente seletivas e resistentes à novas experiências. Isso prejudica de forma significativa o consumo de nutrientes e a manutenção de um estado nutricional adequado.

Há uma grande prevalência de transtornos gastrointestinais (GI) em pacientes com TEA e, atualmente, estuda-se a relação do autismo com a saúde do intestino. Foi observado que a microbiota intestinal dessa população apresentava características muito divergentes em comparação aos não autistas; esses indivíduos possuem uma população de bactérias intestinais patogênicas em quantidade anormal, levando a um quadro de disbiose com consequente desequilíbrio imunológico. Isso faz com que os portadores da síndrome autista não possuam uma correta renovação dos enterócitos e, consequentemente, essas células sofrem um envelhecimento precoce. As bactérias comensais afetam, ainda, diversos aspectos comportamentais complexos, como interações sociais, emocionais e psicológicas, por interagir com o eixo intestino-cérebro.

Esse eixo é um conjunto de vias neurais e gânglios, incluindo o Sistema Nervoso Central (SNC), o Sistema Nervoso Entérico (SNE) e o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e todo o sistema de comunicação envolvido, como as vias aferentes e eferentes, além do sistema imune e endócrino de comunicação intercelular. A função desse eixo é integrar importantes centros cerebrais de controle cognitivo e emocional com os gânglios do SNE, permitindo uma ampla regulação de vários mecanismos corporais. A disbiose e o desequilíbrio imunológico presente nos indivíduos com TEA, juntamente com a ação de fatores ambientais e a permeabilidade da mucosa intestinal, podem agravar o comportamento autista.

O uso de probióticos, em modelos animais, vem sendo apontado como potencial adjuvante na modulação dos aspectos neuronais dos indivíduos com TEA. A restrição de alérgenos alimentares e a exclusão do glúten e a caseína também são estratégias nutricionais muito empregadas no tratamento da síndrome, por impactarem diretamente no ambiente intestinal. Diversas evidências validam a importância da Nutrição no tratamento de diversas desordens neuronais complexas, como o autismo, sendo o eixo intestino-cérebro é o grande protagonista desses estudos.

Este texto foi escrito por Júlia Canto, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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