Vegetarianos: deficiências nutricionais e suplementações indicadas | SNC Salvador SNC

Vegetarianos: deficiências nutricionais e suplementações indicadas

Vegetarianos: deficiências nutricionais e suplementações indicadas

Recentemente, o estilo de alimentação vegetariana aumentou em popularidade, com 10% da população optando por excluir alimentos de origem animal em sua dieta. Os principais motivos para escolha de dietas vegetarianas estão relacionados à saúde, ética, direitos dos animais, meio ambiente, fome, economia e religião.
Também pode ser chamada de dieta pitagórica, pois Pitágoras defendia a prática de uma dieta sem carne através de três pontos: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica. Estas razões continuam a serem citadas hoje em dia por aqueles que preferem levar uma vida mais saudável.
O modelo alimentar vegetariano busca uma alimentação variada, saudável e equilibrada, a qual fornecerá níveis mais baixos de gordura saturada, colesterol, proteína animal (o que pode impactar em uma menor ingestão calórica) e níveis mais elevados de carboidratos, fibras, vitamina C e E, entre outros nutrientes.
Entre os vegetarianos existem estilos diferentes que são categorizados de acordo com o nível de exclusão de alimentos de origem animal: ovo-lacto-vegetariano (LOV), que exclui carne animal, mas inclui ovos e produtos lácteos; ovo-vegetariana (OV), semelhante à LOV, mas excluindo os produtos lácteos; lacto-vegetariana (LV), semelhante a LOV mas excluindo ovos; ou vegana (VN), que exclui todos os alimentos de origem animal, produtos lácteos e ovos. Dietas vegetarianas desequilibradas podem apresentar carência  de nutrientes presentes em menores quantidades em alimentos vegetais ou com baixa biodisponibilidade, como ferro, zinco, vitamina D, gordura e ômega 3.
Vegetais fontes de proteínas geralmente são considerados incompletos por não possuírem todos os aminoácidos essenciais e tipicamente contêm menos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) comparado com proteínas de origem animal. Exemplos comuns dos aminoácidos limitantes em proteínas vegetais são: lisina, metionina, isoleucina, treonina e triptofano. Além disso, o consumo proteico através de alimentos vegetais em quantidades suficientes dificilmente é alcançado, devido ao elevado volume de alimento necessário, excesso de fibras, menor digestibilidade e presença de fatores anti-nutricionais. Desta forma, uma alternativa altamente efetiva é o consumo de suplementos proteicos vegetais.
Uma suplementação proteica que tem grande aplicabilidade para indivíduos vegetarianos é a proteína da ervilha. Esta apresenta uma digestibilidade mais lentificada e por isso, é uma proteína que pode induzir a uma maior saciedade, sendo uma excelente estratégia para o emagrecimento. A proteína da soja é outra opção, visto que estudos demonstram resultados significativos para o controle de colesterol total, triglicerídeos, LDL , VLDL. É uma proteína de rápida absorção, mas também é rica em fitoesteróis como as Isoflavonas, que são compostos não esteroides capazes de exercer efeitos estrogênicos, e por isso sua utilização no esporte gera dúvidas, devido a diminuição dos níveis séricos de testosterona quando ingerida em elevada quantidade.
Devido à ausência de gorduras provenientes de fontes de animais como os peixes, os veganos parecem consumir menos ômega 3, que são importantes para o crescimento e desenvolvimento normais, e parecem desempenhar um papel importante na saúde cardiovascular, doença  inflamatória e crônica, e pode melhorar a imunidade e broncoconstrição induzida pelo exercício. A fração consumida em dietas vegetarianas é  através do óleo da linhaça, constituída de ALA, que posteriormente pode ser convertido às frações mais importantes EPA e DHA. Porém, as taxas de  conversão são baixíssimas no organismo humano, sendo 8% de ALA para EPA e 0,5% de ALA para DHA. Alguns micronutrientes aumentam a conversão do ALA, como zinco, magnésio e vitamina B6.
As dietas vegetarianas também apresentam menor ingestão de creatina (responsável pela ressíntese de ATP) e carnitina (responsável pelo trasporte de gordura para produção energética), visto que a maior fonte desses nutrientes encontra-se nas carnes. Assim, sugere-se que a suplementação de ambos podem beneficiar a saúde e desempenho físico dos vegetarianos.
As dietas vegetarianas apresentam relação com a melhora dos parâmetros de saúde. Porém, por existir a restrição de  alimentos com origem de fonte animal, é importante salientar sobre as estratégias para evitar certas deficiências de nutrientes, que são ocasionadas pela ausência desse consumo ou por fatores anti-nutricionais, como fitatos, presentes nas leguminosas e que podem prejudicar a absorção de alguns  micronutrientes.
A necessidade de suplementação de algumas vitaminas e minerais, como o caso da vitamina B12, ferro e zinco estão cada vez mais elucidadas através de estudos científicos. A suplementação com carnitina e creatina também apresentam grande fundamento para esse público, principalmente para os praticantes de exercício físico que buscam melhor rendimento.

Este texto foi escrito por Felipe Cyrino, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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